Do Brasil, com Kombucha

Cosme Barbosa é aluno de doutoramento no Brasil. A sua tese de doutoramento versa a investigação da microbiota presente na fermentação de kombucha com a finalidade de proposição de uma cultura iniciadora para o processo biotecnológico. O conhecimento da microbiota é de fundamental importância para a otimização do processo e padronização do produto. Neste âmbito, Cosme Barbosa está a desenvolver parte do seu projeto na Escola Superior de Biotecnologia, sob supervisão de Paula Teixeira e Helena Albano, através do programa de "Doutorado Sanduíche". Resolvemos colocar ao Cosme algumas perguntas sobre a sua experiência.

Escola Superior de Biotecnologia: Como é que se interessou pela kombucha?
Cosme Barbosa: Sou biólogo, mestre em Ciência de Alimentos e doutorando em Ciência de Alimentos pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG. Desde a graduação tive contato com a área de Microbiologia Industrial, especificamente com fermentações alcoólicas, acéticas e láticas. Em meados de 2015 para a minha candidatura na seleção de doutoramento era necessário apresentar e defender um projeto de pesquisa na área de forma inovadora. Meses antes um amigo brasileiro tinha regressado do Canadá e trouxe consigo a kombucha. A partir desse momento fiquei curioso para entender mais sobre o produto, uma vez que era produzido por fermentação. Ao estudar o tema percebi que havia poucos trabalhos na literatura e muitos deles não respondiam às minhas dúvidas. Com isso o meu projeto focou-se no estudo da bebida. 

Escola Superior de Biotecnologia: Qual a característica inovadora mais interessante no seu trabalho?
Cosme Barbosa: Quando se trata de kombucha colocam-se várias questões. Atualmente ela é comercializada com inúmeras "alegações funcionais' muitas delas ainda não comprovadas. Sendo a de atividade probiótica a mais alarmante e ainda não comprovada. A minha investigação de doutoramento visa estudar a cinética fermentativa, bem como a identificação molecular das espécies microbianas envolvidas no processo biotecnológico na produção de kombucha. A elucidação da composição microbiana é de fundamental importância para a otimização do processo e padronização do produto, sendo a proposição de uma cultura iniciadora um dos desdobramentos da investigação. Se possível, essa cultura poderá substituir a laboriosa utilização do inóculo original (matriz celulósica).

Escola Superior de Biotecnologia: Porque é que preferiu Portugal para complementar a investigação?
Cosme Barbosa: No Brasil há um programa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) denominado Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior (PDSE) que visa disponibilizar bolsas aos alunos de Doutoradomento para realizarem um período numa instituição no exterior. Para a seleção é necessário que o candidato assinale o orientador na instituição superior. Nas minhas pesquisas verifiquei bons centros de investigação em Portugal, Espanha e França, entretanto por área de afinidade ocorreu a aproximação pelo CBQF da Universidade Católica Portuguesa, no Porto. Na altura a professora Cristina Silva indiciou-me contactar a professora Paula Teixeira devido à proximidade nos temas de pesquisa. Ao entrar em contacto fui prontamente aceite e iniciamos o desenvolvimento da proposta para apreciação da agência de fomento.

Escola Superior de Biotecnologia: Como foi o impacto da vinda para Portugal?
Cosme Barbosa: A minha vinda para Portugal trouxe-me grandes mudanças ainda no Brasil. Apesar das culturas serem próximas ainda apresentam diferenças sui generis e isso tem sido enriquecedor para a minha vida profissional e pessoal. Portugal tem-se revelado um local agradável e acolhedor com uma gastronomia excelente remetendo-me às minhas raízes. Como um apaixonado por fermentações aprecio os vinhos, cervejas e pães produzidos aqui. Os vinhos tintos da região do D'ouro e do Alentejo são meus preferidos.

Escola Superior de Biotecnologia: Como está a correr a integração?
Cosme Barbosa: Fui bem recebido desde o setor de internacionalização, na pessoa da Mônica Coutinha, como pelas minhas orientadora e supervisora Paula Teixeira e Helena Albano, respectivamente. Além de todos os demais investigadores do laboratório.

Escola Superior de Biotecnologia: Quanto tempo pensa ficar?
Cosme Barbosa: A princípio o meu período de internacionalização é de seis meses.

Escola Superior de Biotecnologia: Que conselhos daria a colegas brasileiros que pensam vir estudar em Portugal?
Cosme Barbosa: Que procurem conhecer os centros de pesquisas do país, pois há muitos com grande credibilidade. Além da experiência de vivenciar uma cultura distinta que apresenta modos de vida, arquitetura e conceitos linguísticos únicos.

Novembro 2018

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