Católica no Porto coordena primeiro estudo de vigilância integrada de resistência a antibióticos em ETARs

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Uma equipa de investigação da Universidade Católica Portuguesa, liderada pela investigadora Célia Manaia da Escola Superior de Biotecnologia, foi responsável pelo primeiro estudo europeu de vigilância de resistência a antibióticos em Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETARs). O projecto “Stopping antibiotic Resistance Evolution – StARE” envolveu 7 países europeus (Portugal, Espanha, Irlanda, Chipre, Alemanha, Finlândia e Noruega) e 13 ETARs municipais. O estudo foi publicado esta semana na Revista Science Advances.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) a resistência a antibióticos é considerada uma das maiores ameaças à saúde pública a nível mundial. Na Europa, os níveis de resistência a antibióticos em ambiente clínico, sobretudo em hospitais, é monitorizado há mais de uma década e tem mostrado que os países dos sul da Europa têm valores mais elevados de prevalência dos que os do Norte. Portugal está no grupo dos países europeus onde a situação a nível clinico é mais preocupante.

De forte ameaça clínica, as bactérias resistentes a antibióticos tornaram-se também um importante contaminante ambiental, cuja implicação mais grave poderá ser a transmissão para os humanos, por exemplo através de atividades de lazer ou de produtos alimentares. Em ambiente urbano, as estações de tratamento de esgotos domésticos, onde se incluem os esgotos hospitalares, são uma das principais fontes de bactérias resistentes a antibióticos para o ambiente.

Este projeto europeu, financiado pelas agências nacionais de financiamento associadas ao Water Joint Programming Initiative (Water JPI), envolveu parceiros de diferentes países Europeus e procurou compreender se o cenário de ocorrência de resistência a antibióticos em esgotos, antes e após o seu tratamento, coincidia com o que se observa em ambiente clínico.

As conclusões apontam para uma situação, que à semelhança do que se observa em ambiente clínico, é mais preocupante nos países do sul da Europa (Portugal, Chipre, Espanha) e também a Irlanda, do que do Norte (Alemanha, Finlândia, Noruega). Fatores como o consumo de antibióticos, a temperatura ambiente, assim como a dimensão da estação de tratamento podem contribuir para a persistência e disseminação da resistência a antibióticos no ambiente.

A implementação a nível mundial de programas integrados de vigilância de resistência no ambiente será decisiva para se poder implementar medidas de controlo, se necessário, adequadas a diferentes regiões geográficas. O estudo foi publicado esta semana na Revista Science Advances.

Março 2019

 

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