ESB participa em Conferência da União Europeia sobre potencial do consumo de proteínas vegetais

A docente e investigadora da Escola Superior de Biotecnologia, Marta Wilton Vasconcelos, esteve em Viena, juntamente com 200 especialistas europeus convidados do setor agroalimentar, na área da investigação, governação e política europeia, para debater conjuntamente como o futuro quadro político poderá ajudar a promover o potencial de produção e consumo de proteínas vegetais na União Europeia.

A Conferência "The Development of Plant Proteins in the European Union” foi o culminar de quatro workshops sectoriais prévios que ocorreram em diferentes cidades europeias e onde se olhou, de forma faseada, para os desafios da proteína vegetal em cada passo da cadeia de valor: desde a produção até ao marketing e consumo.

O primeiro dia da conferência consistiu em 3 painéis de debate, sendo um deles sobre a identificação das prioridades europeias de investigação e inovação para promoção das leguminosas, e foi neste âmbito que Marta Vasconcelos foi convidada para ser uma das 3 palestrantes. Marta Vasconcelos sumarizou os resultados dos workshops na área da investigação e inovação neste tema, e teve a oportunidade de contribuir para a construção de um documento oficial que define as melhores estratégias para a Europa reduzir a sua dependência das importações externas de proteína vegetal (onde se inclui principalmente a soja, mas também outras leguminosas de grão). “O que se pretende é transformar a Europa numa sociedade e economia mais resiliente e autossustentável nesta matéria, ao mesmo tempo que promovemos uma transição para uma dieta onde a proteína vegetal (fornecida pelas leguminosas de grão) têm um papel mais relevante,” esclarece Marta Vasconcelos. Durante a sessão, a docente da ESB foi questionada, por exemplo, sobre “o porquê de precisarmos urgentemente de uma transição nos nossos sistemas alimentares”, o que lhe permitiu “relembrar os desafios do aumento populacional, das alterações demográficas, do facto de termos uma dieta demasiado monótona e baseada em poucos alimentos base, sendo ainda demasiado rica em proteína de origem animal”. As leguminosas têm um papel muito importante nesta transição, e há muita inovação a ser criada na Europa para promoção dos alimentos e rações com base em leguminosas, que para além de serem excelentes nutricionalmente, ajudam a promover a saúde dos nossos ecossistemas.

A participação neste evento permitiu “trazer novas colaborações, e trouxe grande visibilidade para nós a nível europeu, uma vez que foram poucos os especialistas convidados a estar no debate” refere Marta Vasconcelos, acrescentando que foi possível “dar visibilidade ao projeto Europeu TRUE do qual a Universidade Católica faz parte e que está precisamente a trabalhar nestas temáticas”. A presença neste evento europeu permitiu também “reforçar a nossa ideia de que estamos a trabalhar numa temática muito importante, tendo sido primordial perceber que nos próximos anos haverá um grande investimento nestes temas na União Europeia, permitindo-nos ter a possibilidade de dar continuidade aos trabalhos em curso”.  Consciente de que esta transição não poderá ocorrer de um dia para o outro, Marta Vasconcelos fala na necessidade de investimentos a longo prazo, mas também apela “precisamos de quebrar as barreiras de comunicação entre os diferentes intervenientes das cadeias de produção, processamento, distribuição e consumo para conseguirmos alcançar sistemas alimentares equitativos, equilibrados, sustentáveis, economicamente viáveis e justos para todos os intervenientes, e nos quais o papel não só das leguminosas de grão, mas também de outras fontes de proteína alternativas para a alimentação podem ser chave.”

A Conferência "The Development of Plant Proteins in the European Union”, que se realizou a 22 e 23 e novembro, reuniu 200 especialistas europeus convidados do setor agro-alimentar, na área da investigação, governação e política europeia, incluindo a Ministra da Sustentabilidade e Turismo Austríaca E. Köstinger, o Comissário Europeu para Agricultura e Desenvolvimento Rural, Phil Hogan, e o membro do Parlamento Europeu Ulrike MÜLLER.

 

Novembro de 2018

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