Esterilização por fluidos supercríticos: uma nova era para a esterilização?

A esterilização de dispositivos médicos implantáveis ​​é uma etapa crucial no processo produtivo, que permite evitar complicações relacionadas com a infeção e rejeição após cirurgia. No entanto, esta etapa implica por vezes uma agressão indesejável aos materiais que os compõem.

Os avanços nos campos da biotecnologia e engenharia biomédica têm levado ao desenvolvimento de dispositivos médicos cada vez mais sofisticados e complexos sendo muitas das vezes compostos por biomateriais naturais. Esta complexidade representa um desafio às técnicas atuais de esterilização. Até à data, para esterilizar dispositivos médicos segundo as atuais diretrizes normativas, têm vindo a ser usadas técnicas onde é aplicada elevada temperatura (como o autoclave, mas que causa a degradação de tecidos biológicos e materiais sensíveis), agentes químicos (ex: óxido de etileno, potencialmente cancerígeno) ou, ainda, a radiação (por exemplo a radiação gama, nefasta também para os tecidos biológicos).

A necessidade de uma alternativa eficaz impulsionou os investigadores da Escola Superior de Biotecnologia (ESB) da Universidade Católica no sentido de utilizar dióxido de carbono no estado supercrítico (scCO2). Esta tecnologia é caracterizada pelas baixas temperaturas (próximas da do corpo humano) e por utilizar um gás inerte e não tóxico, o CO2. A esterilização usando scCO2 emerge como uma tecnologia verde e sustentável capaz de atingir os níveis de esterilidade exigidos pela legislação, mas sem alterar as propriedades originais de materiais altamente sensíveis.

No artigo de revisão referenciado abaixo, coordenado pela investigadora Ana Oliveira da CBQF/ESB/UCP, foi realizada uma pesquisa atualizada dos protocolos experimentais com base na esterilização por scCO2 e dos resultados de eficácia classificados por estirpes microbianas e materiais tratados. É avaliada a aplicação do processo de esterilização por scCO2 em materiais utilizados para aplicações nas áreas biomédica, alimentar e farmacêutica (especificamente para biomateriais de nova geração e tecidos de enxerto). Fica claro o potencial realizado e por explorar desta abordagem, com largas avenidas de investigação à espera de serem desenvolvidas.

 

Junho 2020

Ribeiro, N., Soares, G. C., Santos‐Rosales, V., Concheiro, A., Alvarez‐Lorenzo, C., García‐González, C. A., & Oliveira, A. L. (2020). A new era for sterilization based on supercritical CO2 technologyJournal of Biomedical Materials Research Part B: Applied Biomaterials108(2), 399-428. https://doi.org/10.1002/jbm.b.34398

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