Estudo da ESB comprova benefícios das hortas urbanas na saúde

 

Redução do tabagismo e alimentação mais saudável são apenas alguns dos resultados do pioneiro estudo deste género realizado em Portugal

Resultado de uma tese de mestrado realizada na ESB foram apresentados, recentemente, os resultados de um estudo realizado em parceria com a Lipor sobre as hortas públicas, biológicas e urbanas e o efeito que possuem nos comportamentos de saúde, na qualidade de vida e nas práticas ambientais. Através da investigação conduzida pelo nutricionista Paulo Nova e orientada pelas Professoras Elisabete Pinto e Margarida Silva, e graças à parceria com a Lipor - entidade criadora do projeto "Horta à Porta", da qual faz parte a horta onde foi realizada a presente investigação -, conclui-se, através da avaliação de uma amostra de 115 indivíduos, que a horticultura pode desempenhar um papel importante na promoção de comportamentos mais saudáveis e, ainda, na melhoria do bem-estar físico e mental dos citadinos.

Os participantes que iniciaram a jardinagem evidenciaram, em média e após seis meses, uma melhoria significativa ao nível de comportamentos de promoção da saúde, tendo-se observado um aumento da prática de exercício físico, bem como alterações a nível da alimentação. Neste âmbito, os indivíduos da amostra aumentaram o consumo de laticínios, de peixe, de hortofrutícolas, de ervas aromáticas e, ainda, reduziram o consumo de doces e pastéis, aproximando-se de uma alimentação mais saudável. Também a influência desta prática nos hábitos tabágicos dos participantes foi avaliada, tendo sido registados resultados surpreendentes: os fumadores reduziram o número de cigarros por dia para cerca de metade e sete indivíduos deixaram de fumar.

Impacto total no bem-estar físico e mental

Tendo em conta o crescimento registado pelas hortas urbanas, é importante avaliar o seu efeito no bem-estar e qualidade de vida em pessoas expostas à atividade, razão pela qual a equipa de investigação recorreu a uma ferramenta que avalia oito domínios relacionados com estes parâmetros. Este estudo, o primeiro do género a ser realizado em Portugal, revelou que o impacto no bem-estar físico e mental dos participantes era evidente, tendo sido verificadas melhorias ao nível da capacidade funcional, na limitação física, dor, estado geral de saúde, vitalidade, aspetos sociais, limitação por aspetos emocionais e saúde mental.

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