GAS’África: Pandemia leva a que a missão seja em Portugal

Este ano, face à pandemia, o GAS’África (Grupo de Ação Social em África e Portugal) realizou uma missão em território nacional durante o mês de agosto e não a África como se verifica anualmente. Albufeira foi o destino escolhido para que cinco estudantes, duas das quais da Católica, partissem em missão para ajudar a colorir os dias das crianças em tempo de pandemia.

Maria Inês e Mariana Rossi, ambas estudantes da Católica, abraçaram esta missão de coração aberto e com a vontade de ajudar. “Amor. Amor. E amor.” Foi assim que Maria Inês, estudante da Escola Superior de Biotecnologia da Católica, começou por descrever a sua experiência durante a missão em Albufeira. “Posso dizer que foi a experiência mais enriquecedora que já tive na minha vida. A rotina de acordar todos os dias para amar e me entregar à nossa comunidade, com uma motivação inexplicável, permitiu-me viver e sentir verdadeiramente. Tenho cada sorriso, gargalhada e abraços de cada criança marcados em mim,” recordou.

Mariana Rossi, estudante da Faculdade de Educação e Psicologia da Católica, refere que o grande desafio foi ao nível dos afetos: “Um dos principais desafios prendeu-se essencialmente com a época que vivemos, uma vez que devido à pandemia havia certos contactos ao nível dos afetos que tiveram de ser evitados e lidar com o calor e com a máscara durante os serviços também foi algo desafiante.” Mariana não deixa de realçar o crescimento a nível pessoal: “os desafios relacionados com a empatia estão sempre muito presentes, sendo fundamental ter a capacidade de nos colocarmos no lugar da pessoa a quem servimos.”

Para Maria Inês um dos maiores desafios foi “gerir a simplicidade, um dos pilares do GAS’África, no contexto de Portugal, devido principalmente ao facto de não existir um choque cultural tão grande como aquele que seria expectável em África.” Acrescentando “relativamente às famílias de refugiados, tivemos de aprender a lidar com a barreira linguística existente. O nível de português e inglês era pouco ou até mesmo nulo, pelo que foi desafiante iniciar o tema da alfabetização e conhecê-los melhor, assim como à sua cultura.” Maria Inês recorda outro momento desafiante: “a despedida e lidar com as saudades daquelas crianças e jovens, que eram já enormes, mesmo antes do momento de me ir embora. Uma parte de mim ficou no Algarve.”

Convidada a deixar uma mensagem para os estudantes que queiram abraçar este tipo de missões, Mariana Rossi salientou: “Sugiro que arrisquem e se aventurem no mundo do voluntariado que certamente não se arrependerão. Encontrarão eventualmente um serviço onde se sentirão preenchidos e terão com certeza momentos muito marcantes repletos de aprendizagens e histórias. É certo que ganharão sempre muito mais do que aquilo que podem pensar que irão dar.”

Setembro 2020

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