A genética do cancro

Em 2015/16 os alunos de Genética Geral foram desafiados a refletir sobre a importância da Genética no presente e futuro da sociedade. Este é um dos trabalhos resultantes.

A genética do cancro
Joana Castro

Atualmente, o cancro é a doença com maior taxa de mortalidade a nível Mundial. Sendo assim, alvo de inúmeras pesquisas, acompanhadas pelo desenvolvimento de áreas como a genética e a biologia molecular. 1,2

Todas as células do nosso corpo têm material genético. Os genes são responsáveis pelas nossas características e estão contidos em cromossomas. Os conjuntos de cromossomas são herdados, 23 da mãe e outros 23 do pai, devendo-se a este facto as semelhanças que apresentamos com os nossos pais.3,4

Por vezes, os genes não funcionam como deveriam, devido a erros, mutações. Estas mutações podem ser herdadas ou espontâneas. Considerando-se herdadas, aquelas que são transmitidas pelos pais e espontâneas as que podem ocorrer numa célula durante a vida, relacionadas com o estilo de vida e com o ambiente em que se está inserido.3 

O cancro é considerado uma doença genómica, consequente de alterações, mutações no material genético (DNA) de células normais. 1 Estas mutações podem atuar na alteração ou mesmo eliminação da atividade dos genes, originando o aumento da capacidade de proliferação das células, diminuição da susceptibilidade para apoptose, aumento da taxa geral de mutações ou mesmo o aumento da longevidade das células. Este aumento da longevidade celular torna superior a probabilidade de ocorrência de todas as alterações descritas.2

Um cancro não surge como resultado de um único evento genético, mas sim de vários eventos, várias mutações dentro de uma célula que a tornam cancerosa. Contudo, uma única mutação é capaz de garantir a formação de cancro. 3,4

A análise genética e genómica do cancro proporciona uma melhor compreensão da doença, bem como, de novas formas de diagnóstico e tratamento.1

Atualmente sabe-se que alguns tipos de cancro são hereditários.  Derivam de afecções genéticas que são mais prevalentes em indivíduos da mesma família. Estas podem ocorrer por transmissão vertical, ou seja, de uma geração para outra por meio de um padrão de herança mendeliano bem definido.1

As técnicas de análise de heredogramas relevam que as tendências familiares para alguns tipos de cancro podem estar associadas a marcadores moleculares, identificando tumores com translocações cromossómicas características ou deleções de determinadas regiões. Em alguns casos, estes rearranjos cromossómicos são utilizados no diagnóstico por serem considerados parte característica de um tipo de cancro. 2,4

Vários tipos de cancro como o da mama, colon, ovário, entre outros, apresentam componentes genéticos e hereditários que ao serem descobertos tornam possível a detecção precoce e mesmo a prevenção de doenças genéticas. Torna-se assim fundamental a realização de aconselhamento genético, através da triagem genética. 1,2

A população deve estar informada acerca das características associadas ao cancro hereditário, tais como: idade de diagnóstico; mais de uma neoplasia no mesmo individuo; vários membros da mesma família com a mesma neoplasia ou neoplasias relacionadas e múltiplas gerações acometidas. Só assim poderão usufruir do aconselhamento genético e das medidas profiláticas existentes.1,3

 

Bibliografia

  1. Danta, E et al. (2009) Genética do Câncer Hereditário. Revista Brasileira de Cancerologia 55:263-269.
  2. Raposo, H. (2013) Incerteza e Redefinições do Trabalho Médico : um estudo de caso sobre o aconselhamento genético no cancro hereditário. Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto Vol.XXV :189-209.
  3. Susan, G. (2009/2010) Genética e o Câncer da Mama. American Cancer Society, Breast Cancer & Figures. Disponível em: https://ww5.komen.org/uploadedFiles/Content_Binaries/translate/Genetics%20and%20Breast%20Cancer_Portuguese.pdf
  4. Griffiths, A et al. (2006) Introdução à Genética. 8º Edição. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro.

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