Vamos ajudar o ambiente e a saúde comendo massa de grão-de-bico?

Os sistemas alimentares europeus ainda são frequentemente caracterizados por práticas agrícolas menos sustentáveis, e pelo consumo de alimentos ricos em energia, mas pobres em nutrientes. Estes padrões contribuem para a degradação ambiental e para o aumento de prevalência de doenças crónicas tais como a doença cardiovascular e a hipertensão. A substituição parcial de cereais por leguminosas ricas em proteínas e fibras pode ser uma solução promissora para combater ambos os problemas.

O grupo de investigação da Professora Marta Vasconcelos, em colaboração com colegas da Irlanda, Espanha e Reino Unido, avaliaram a pegada ambiental de massas alimentícias feitas de grão-de-bico e fizeram a comparação desde “o campo até ao garfo” com massas convencionais à base de trigo. Concluíram que a pegada ambiental foi menor (e portanto melhor) para a massa de grão-de-bico em pelo menos 12 das 16 categorias de impacto ambiental avaliadas, tais como o aquecimento global, a utilização de recursos minerais e o impacto na água. A principal desvantagem foi a utilização de terreno, onde a massa de grão-de-bico usa mais área por porção.

Por outro lado, em termos nutricionais, a massa de grão-de-bico contém 1,5 vezes mais proteína, 3,2 vezes mais fibras e 8 vezes mais ácidos gordos essenciais do que a massa de trigo duro. Ou seja, existe um grande potencial para melhorar simultaneamente a sustentabilidade ambiental e a qualidade nutricional dos sistemas alimentares através da substituição de cereais por leguminosas em alimentos básicos, como massas! Os consumidores que procuram o sabor e a textura tradicionais da massa de trigo podem assegurar estas características cozinhando a massa de grão-de-bico al dente e juntando um molho de massa típico, que esconderá o sabor subtil de noz.

Saget, S., Costa, M., Barilli, E., Vasconcelos, M., Santos, C., Styles, D., Williams, M. (2020) Substituting wheat with chickpea flour in pasta production delivers more nutrition at a lower environmental cost. Sustainable Production and Consumption. doi.org/10.1016/j.spc.2020.06.012

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