Projeto europeu SafeConsumE propõe boas práticas de conservação de alimentos

A boa comida faz parte de todos nós e é tão importante cuidarmos bem dela. Porque é um bem essencial e porque não pode haver espaço para desperdícios. No âmbito do projeto europeu SafeConsumE, do qual a Escola Superior de Biotecnologia (ESB) da Católica no Porto é parceira, têm sido promovidas boas práticas de como conservar os alimentos nos frigoríficos, com base em evidências científicas.

Prepare o seu frigorífico para 2021. O frigorífico é fundamental para manter os alimentos seguros: cuide do seu frigorífico e ele cuidará de si.

Quando os frigoríficos estão demasiadamente cheios é difícil garantir que os alimentos se encontram conservados à temperatura adequada, é difícil ver os que lá estão guardados e quando lá foram colocados.
 
É importante, por isso, manter a temperatura do frigorífico baixa (máximo 4 °C) para evitar que os alimentos se estraguem ou se tornem “perigosos”.

Genericamente, ao reduzir a temperatura do frigorífico de 8 °C para 4 °C, pode guardar os alimentos o dobro do tempo, até que se estraguem ou se tornem “perigosos”.

 

A que temperatura está o seu frigorífico?

No decurso do projeto SafeConsume, investigadores de vários países, nomeadamente, Noruega, Portugal, França, Inglaterra e Roménia, verificaram as temperaturas de frigoríficos em 75 cozinhas, que foram registadas nas prateleiras onde os consumidores, normalmente, armazenam alimentos perecíveis, durante um período de 14 dias.

A temperatura média foi de 5,5 °C e um em cada três frigoríficos apresentou uma temperatura superior a 6 °C.

É preocupante que as temperaturas mais altas tenham sido registadas nos frigoríficos em residências com idosos, grupo para o qual a temperatura mais alta foi superior a 12 °C e a temperatura média foi de cerca de 7 °C.

Solveig Langsrud, investigadora da Nofima e coordenadora do projeto SafeConsume, refere que “os idosos são mais vulneráveis a toxinfeções alimentares, particularmente para listeriose”.

 

Esteja atento, a Listeria monocytogenes pode crescer no seu frigorífico

Listeria monocytogenes pode causar listeriose, uma infeção que, embora rara, é muito grave. A listeriose é a infeção adquirida pela ingestão de alimentos contaminados que mais mortes causa na União Europeia, explica Paula Teixeira, docente e investigadora da Escola Superior de Biotecnologia da Católica no Porto. Os idosos, as mulheres grávidas e as pessoas imunocomprometidas são particularmente vulneráveis à listeriose.

Ao contrário de outras bactérias causadoras de toxinfeções alimentares, como Salmonella ou Escherichia coli, que não crescem em condições normais de refrigeração, Listeria pode crescer, ainda que lentamente, a 4ºC. Quanto mais a temperatura do frigorífico exceder os 4 °C, mais rápido cresce Listeria, sem que, no entanto, sejam detetadas alterações na cor, no sabor ou no cheiro dos alimentos.

Preste especial atenção à data de validade de alimentos prontos a comer, como queijos de pasta mole, produtos de charcutaria, e frutos cortados e saladas lavadas e embaladas, alerta Paula Teixeira.

Para os alimentos preparados em casa, no entanto, não há prazo de validade e pode ser difícil decidir por quanto tempo podem ser armazenados. As sobras de alimentos cozinhados devem ser arrefecidas rapidamente e devem ser reaquecidas completamente antes de comer. Essas sobras podem ser armazenadas em segurança por 5-6 dias no frigorífico (embora vão perdendo qualidade com o passar do tempo) se a temperatura máxima for 4 °C. Se a temperatura subir até ca. de 8 °C, então a comida só é segura por alguns dias e, provavelmente, acabará por ser deitada fora.

Manter os alimentos bem frios, abaixo de 4 °C, e por pouco tempo é, portanto, uma medida segura.

 

Tocar nos alimentos não nos permite saber a que temperatura estão

Investigadores do SafeConsume também avaliaram se as pessoas podiam determinar a temperatura do frigorífico ao tocar nos alimentos. A resposta foi clara: infelizmente, não.
 
320 consumidores voluntariaram-se para tocar em diferentes produtos refrigerados (por exemplo, latas de cerveja, garrafas de vidro) e indicar a sua temperatura. Para produtos armazenados a 4 °C, as pessoas geralmente estimaram temperaturas de 2 °C a 3 °C. Mais preocupante, foi o facto de para produtos armazenados a 8 °C, as pessoas estimarem temperaturas de 3 °C a 5 °C. Em particular, a temperatura das latas foi estimada como sendo mais baixa do que a temperatura real.
 
Embora alguns frigoríficos tenham um indicador de temperatura, pode o mesmo ser impreciso e a temperatura indicada não corresponder à temperatura dos alimentos. É preciso medir dentro do frigorifico, com um termómetro, e estar ciente de que a temperatura pode ser diferente entre prateleiras. Por exemplo, a temperatura nos compartimentos da porta é a mais alta, por isso evite guardar alimentos perecíveis na porta, diz a investigadora Daniela Borda (Faculty of Food Science and Engineering, Galati, Roménia).

 

Conselhos para manter os seus alimentos em segurança

Siga as indicações do rótulo:
- Não coma alimentos após o prazo de validade (indicação “consumir até”)
- Cozinhe os alimentos de acordo com as instruções do rótulo
- Certifique-se que a temperatura do frigorífico está, no máximo, a 4 °C

Conselhos adicionais para alimentos sem data de validade (alimentos cozinhados e/ou preparados em casa, incluindo frutos e vegetais cortados e sobras):
- Não coma depois de cinco dias no frigorífico ou caso detete alguma característica alterada.
- Não deixe mais de duas horas fora do frigorífico.

Saiba mais sobre o SafeConsumE aqui

 

Time-temperature profile and Listeria monocytogenes presence in refrigerators from households with vulnerable consumers - ScienceDirect

Using tactile cold perceptions as an indicator of food safety-a hazardous choice - ScienceDirect

Dezembro 2020

Partilhe/Share